Abraão, Amigo de Deus. O Significado da Fé

Todo ser humano possui aspirações. Uns almejam a fortuna, outros a fama, outros o poder, outros paz, outros uma bela família, e assim por diante.

Estou plena e completamente convencido de que a maior aspiração que um ser humano pode ter nesta existência é a amizade do próprio Deus, e assim como Abraão, poder chamar Deus de amigo e ser por Deus assim também chamado. Digam-me o céu e a terra se pode haver aspiração mais empolgante, magnífica e grandiosa do que esta? Ser amigo íntimo do Criador!

Estamos aqui falando de um mistério, de um assunto acessível somente aos que a Bíblia chama de crentes, justos e fiéis. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Deus nos chama em Cristo para dele nos tornarmos filhos pela fé no Evangelho do Filho, pelo novo nascimento, pela operação do Espírito Santo. E sabemos que em uma grande casa, há filhos mais chegados aos pais, assim como há outros menos chegados, menos íntimos. Estamos aqui nos referindo à santa intimidade de Deus. Examinemos, pois, dois trechos das Escrituras, os quais, para os sem entendimento aparenta ser contraditório, todavia nenhuma contradição há entre eles, muito pelo contrário, mas sim doce, bela e magnífica harmonia.

“Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.” Romanos 4:1-5

Antes de passarmos ao segundo trecho bíblico que mencionei, citarei outro que corrobora o que acima está escrito:

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” Romanos 3:28 

Agora o segundo trecho bíblico, o que para alguns pode aparentar apresentar alguma contradição com os dois trechos bíblicos acima citados:

“Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus. Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente.” Tiago 2:21-24

Não somente não há contradição alguma entre estes trechos bíblicos assim como são estes mesmos trechos bíblicos que nos ensinam como nos tornarmos amigos íntimos de Deus, ou seja, sermos seus amigos.

O Caso de Abraão

Abraão era um homem temente a Deus, e diante do Senhor se expunha e externava sua tristeza por não ter um filho e ,consequentemente, não poder deixar descendência.

“Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. Respondeu Abrão: SENHOR Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. A isto respondeu logo o SENHOR, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” Gênesis 15:1-6

“Visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque.” Gênesis 21:1-3

Certamente Abraão se alegrou muitíssimo com o fato de o Senhor lhe ter concedido um filho, assim como havia prometido, Isaque, e este era seu único filho. Algum tempo se passou e algo surpreendente acontece, Deus pede que Abraão mate seu único filho que Deus lhe dera, que o ofereça como holocauso ao Senhor.

“Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” Gênesis 22:1,2

Imaginemo-nos nos lugar de Abraão. Somente aos cem anos de idade foi que Deus lhe concedeu um único filho e a quem Abraão tanto amava. Era a sua grande alegria, uma indescritível motivação para viver, e é justamente a ele, a Isaque, que o Senhor Deus requereu que Abraão matasse, oferecendo-o ao Senhor em holocauso.

Diante disso, Abraão bem que poderia ter dito a Deus algo mais ou menos assim: “O que?! Mas que história é essa?! Então eu passo cem anos aguardando por um filho, o Senhor me dá esse filho, eu com ele me alegro, e agora o Senhor requer de mim que eu o mate, oferecendo-te meu único filho em holocausto?! Nunca! Jamais farei tal coisa! Isto é um absurdo, uma crueldade!”

Porém, diz a Escritura:

“Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos.” Gênesis 22:3-6

Abraão não discutiu com Deus, não questionou o Senhor, por mais terrível que fosse a tal prova com a qual Deus estava provando a fé de Abraão. Abraão obedeceu o Senhor.

“Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar—O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá. Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” Gênesis 22:7-18

A fé de Abraão foi provada, e de que maneira! Porém, o resultado final de toda essa situação foi a grande vitória de Abraão e de cuja descendência, segundo a carne, veio o Messias, Jesus Cristo, ainda que não tenha sido o Senhor Jesus gerado por gametas humanos, mas foi gerado pelo Espírito Santo, no ventre de uma virgem casada com José, o qual era da descendência de Isaque, filho de Abraão.

Abraão foi, e é até hoje, honrado por todos os lados, todavia todas estas honras lhe sobrevieram por ter crido em Deus e por ter consumado de modo grandioso a sua fé.

O Significado da Fé

A fé é um dom de Deus, é um posicionamento espiritual através do qual nosso espírito e alma se alinham em harmonia, em adoração, em honra, temor, respeito e amor para com Deus. É o meio pelo qual nos relacionamos com Deus e dizemos a todos que estamos posicionados ao lado de Deus, negando e rejeitando todos os princípios de Satanás. É também o modo pelo qual proclamamos ao céu e à terra, diante de anjos e diante de homens, que Jesus Cristo é Senhor absoluto sobre nossas vidas, aceitando deste modo tudo o que o Filho nos ensina a respeito do Pai e, consequentemente, rejeitando todas as mentiras que Satanás diz a respeito de Deus.

A fé é o meio, o único meio, a fim de que possamos escapar da ira vindoura, pois Deus, o Criador, está prester a falar ao mundo em grande ira, tomando vingança contra todas as maldades praticadas pelos filhos dos homens ao longo de toda a história. Muitos haverá que sofrerão a ira de Deus ainda neste mundo, e por fim, serão lançados no inferno eterno, onde, segundo nos diz o Senhor:

“Ali haverá choro e ranger de dentes.” Mateus 13:42

Mas aos que são da fé, sobre estes diz a Escritura:

“Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hebreus 10:39 

A Fé não é Igual em Todos

Não é verdade que o homem já nasça com fé. A fé é concedida ao homem por Deus. E um dos trechos bíblicos que evidencial isto é o seguinte:

“Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.” 2 Tessalonicenses 3:1,2

Ora, se a fé não é de todos, como afirmam as Escrituras, como dizer que os homens nascem com fé, como afirmam alguns?

Em suas próprias palavras, o Senhor Jesus Cristo nos mostra como há diferenças entre fé e fé. Vejamos.

“E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.” Mateus 15: 22-28

“E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado. Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:14-20

Vemos, pois, que na primeira situação o Senhor Jesus Cristo claramente manifestou sua apreciação ao ver a grande fé daquela mulher, e o resultado disso foi que a mulher, após ter recebido do Senhor honra e aprovação lhe disse:

“Faça-se contigo como queres” Mateus 15:28

Diferentemente, o Senhor expressou seu desagrado diante da pequenez da fé de alguns de seus discípulos, razão pela qual exclamou:

“Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?” Mateus 17:17

Todavia, no mesmo trecho bíblico, o Senhor Jesus Cristo nos ensina que esta não é uma situação estanque, mas sim passível de mudança, pois ele disse, ensinando:

“Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Mateus 17:20

Isto nos mostra que não somente podemos, como também devemos, buscar o aprefeiçoamento da nossa fé, o que se dá através da aceitação submissa da vontade de Deus, em momento algum nos permitindo colocar em resistência diante da vontade de Deus, mas à semelhança de Abraão, darmos ao Senhor seja lá o que for que ele nos solicite. E isto quer o compreendamos ou não, pois a fé está acima da lógica, é superior à razão e por mais poderoso que seja o intelecto humano, a fé não é por ele acessível. A fé se encontra no território espiritual, nesse mesmo território onde Deus habita. A fé transcende a razão, pois é superior a ela, pois ninguém pode conhecer a Deus pela capacidade humana, mas tão somente pela fé, como está escrito:

“Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” Mateus 16:13-17

Agradou-se o Senhor Jesus da grande fé daquela mulher, porém se desagradou ao ver a pequenez da fé de alguns de seus discípulos, como está escrito:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus.”  Hebreus 11:6 

Há, ainda, os que não possuem fé alguma, são indigentes espirituais, autênticos desgraçados, os quais permanecerão na vaidade de seus próprios pensamentos e concatenações mentais, julgando-se sábios, mas esquecendo-se de seu próprios pecados e não podendo atentar para a monstruosidade de sua incredulidade, e é sobre esses que está escrito:

“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.” Apocalipse 21:8 

Murmuração, a Contraposição à Fé

Focando-nos nas atitudes de fé que teve Abraão diante de Deus, e por causa delas tendo sido chamado de amigo de Deus, e isto até hoje, bem podemos entender como nos tornarmos amigos de Deus também nós. Abraão obedeceu a Deus sem questioná-lo, foi-lhe submisso e temente, razão pela qual grandemente se alegrou Deus com a fé de Abraão, pois que pela fé Abraão tornou-se semelhante ao Autor e Consumador da Fé, Jesus Cristo, o qual jamais discutiu com Deus, seu Pai, nunca jamais dele discordou, mas foi obediente até à morte, e morte de cruz.

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” Hebreus 12:1-3

E a respeito do Filho, do céu disse o Pai:

 

E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.Mateus 3:17

 

O objetivo do Evangelho é a nossa salvação, e esta se dá pela fé em Jesus Cristo, na imagem de quem somos transformados, pelo Espírito Santo, mediante a fé.

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” 2 Coríntios 3:17-18

Por outro lado, a incredulidade é a expressão da rejeição da verdade e da inimizade contra Deus. E Deus expressou, de modo terrível, seu descontentamento com a incredulidade dos que, a despeito de terem visto a grandeza de Deus, a ele não se renderam em submissão, mas questionaram-no, dele duvidaram e contra ele se rebelaram, razão pela qual não puderam entrar no descanso de Deus. E a manifestação maior de sua incredulidade foi a murmuração.

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.” Hebreus 3:12-19

E prossegue a Escritura:

“Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.” Hebreus 4:1-3

Estes incrédulos de quem nos fala a Escritura foram aqueles judeus que, mesmo tendo presenciado a majestade de Deus, o qual com mão poderosa os tirou da escravidão do Egito, tendo visto as maravilhas de Deus, murmuraram contra ele, manifestando sua incredulidade e rebelião, foram considerados inimigos de Deus, para sempre.

“Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder. Repreendeu o mar Vermelho, e ele secou; e fê-los passar pelos abismos, como por um deserto. Salvou-os das mãos de quem os odiava e os remiu do poder do inimigo. As águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou. Então, creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor. Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma. Tiveram inveja de Moisés, no acampamento, e de Arão, o santo do SENHOR. Abriu-se a terra, e tragou a Datã, e cobriu o grupo de Abirão. Ateou-se um fogo contra o seu grupo; a chama abrasou os ímpios. Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que, no Egito, fizera coisas portentosas, maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no mar Vermelho. Tê-los-ia exterminado, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se houvesse interposto, impedindo que sua cólera os destruísse. Também desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra; antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do SENHOR.” Salmos 106: 7-25

E o que lhes sucedeu foi deixado registrado por nossa causa, para nos servir de exemplo, a nós os que, neste final dos tempos, estamos sendo chamados à amizade de Deus. Temos pois o belíssimo exemplo da fé de Abraão, amigo de Deus, e também temos o exemplo dos que murmuraram contra Deus, tendo se tornado seus inimigos, separados de Deus, para sempre.

Vemos, pois, que a fé se expressa por obras, e a incredulidade também. E assim como os atos de obediência e de submissão de Abraão foram a expressão de sua grande fé, não tendo ele negado a Deus aquilo o que lhe era mais precioso, a saber a vida de seu próprio filho Isaque, a murmuração daqueles judeus foi a evidência de sua incredulidade. O homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei, todavia a fé de cada um de nós será posta à prova, como está escrito:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. 1 Pedro 1:3-9

Não basta crer em Deus, mas é necessário que a fé que nele depositamos seja posta à prova a fim de que possamos ser aprovados por Deus, pois a fé genuína só pode habitar em corações verdadeiramente submissos a Deus e em espíritos humildes.

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Mateus 5:3 

“Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” Tiago 2:17-20

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Mateus 7:21-23

“Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Senhor Jesus Cristo, João 15:14

 


 

 

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