Ateus e Atormentados

Diferentemente de tantas outras filosofias que tecem argumentos em favor de um ou de outro pensamento, o Ateísmo, na realidade, não argumenta em favor de uma idéia legítima. Melhor seria dizer que o Ateísmo argumenta em favor de uma causa absolutamente impossível. É uma luta inglória, uma causa perdida. Um tolo desperdício.

O Ateísmo é a incessante busca por uma maneira racional de lidar com o dilema da impossibilidade da negação da realidade espiritual

Simplesmente não há como negar o caráter transcendente da existência, mas ainda assim há quem procure fazê-lo. A militância dos ateus, além de árdua e cansativa, requer um esforço contínuo e ininterrupto de exercício de auto-convencimento. Se observarmos as alegações ateístas em favor do que consideram ciência, progresso e desenvolvimento humano, poderemos ver quão pouco preocupados em “ser científicos” estão. Sua maior preocupação é com a exigente solicitação de elaborações de argumentos de negação da espiritualidade que a filosofia atéia requer. Isto se dá, principalmente, com os ateus militantes da causa. Como doses de morfina dadas a um doente que sofre de grandes dores, assim os exercícios mentais dos ateus, bem como seu convívio com outros seres humanos adeptos de sua causa, lhes servem de satisfação temporária à inquietante tarefa que a si mesmos impuseram. Essa atitude, a de procurar negar a realidade espiritual da existência, carrega em si um pesado fardo de escravidão espiritual e mental levando os ateus a uma longa e horrenda distância da felicidade e da quietude da alma. Tal escravidão não poderia vir de outro lugar senão das mãos do diabo.

O próprio Deus anuncia que sem a Sua revelação nada pode ser entendido ou compreendido corretamente:

“Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento” Provérbios 2:6 

Sendo assim, por que homens e mulheres prefeririam a ignorância em detrimento da sabedoria? Deve haver algo por detrás de uma escolha tão estúpida. E há.

Examinemos o que escreveu a atéia  Mia Staithe:

“O ateu positivamente acredita no Ateísmo. O Ateísmo não é simplesmente a negação da religião. É também outro grupo de crenças e de valores que a substituem.”

Notemos que a conclusão desta breve afirmação de Mia Staithe tem a ver com “substituição” de “valores”.

A insatisfação dos ateus com as limitações exigidas por Deus para com a extensão das manifestações do egoísmo humano talvez seja a maior motivadora da atitude atéia da rebelião contra a espiritualidade inegável. Na sentença de Mia, acima, vemos que ela procura por uma substituição, por uma “alternativa”. E essa “alternativa” tem a ver com a prévia rejeição da realidade espiritual na qual estamos todos, inevitavelmente, inseridos.

De modo bem prático, poderíamos dizer que o Ateísmo se constitui em uma grotesca e brutal investida contra a própria percepção natural da realidade. Tal atitude é motivada pelo egoísmo humano que não deseja ver limites ao que intenta fazer, não importando se o que desejam é justo ou injusto, ético (sob a perspectiva cristã) ou não. O que importa é buscar a “liberdade” para agir de acordo com os egoístas desejos e apetites humanos - invariavelmente com o prejuízo de alguém. O Ateísmo é, portanto, uma atitude de alienação e de auto-mutilação do entendimento. E o prêmio almejado seria uma suposta conquista do poder ilegítimo de governo, de manipulação egoísta e de domínio humano sobre a existência, a qual está, imutavelmente, sujeita a Deus.

Essa atitude, todavia,  não se constitui em nenhuma novidade. Vejamos o que sucedeu quando a atitude rebelde dos homens que edificavam a Torre em Babel foi repreendida por Deus:

“Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra. Então, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro. Destarte, o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade.” Gênesis 11:1-8

É bastante esclarecedor o exame do que diziam os tais homens em Babel:

“Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome”.

A ambição pelo poder de governo egoísta e ímpio dos homens de Babel é a mesma solicitação do pensamento ateu contemporâneo. “Edifiquemos para nós” e “tornemos célebre o nosso nome” são manifestações da arrogância do homem caído e da inimizade contra Deus. Vejamos agora o oposto disso:

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” Salmos 115:1 

“Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.” Lucas 16:15 

Embora para um cristão autêntico a atitude atéia seja tão ameaçadora quanto a investida de um camundongo contra um grande leão, para outros incrédulos ou religiosos sem Deus o Ateísmo pode vir a se constituir em mais um empecilho no caminho rumo ao conhecimento da Verdade. E a Verdade é Cristo.

Seja, porém, qual for a solicitação do mal, em suas muitas e variegadas manifestações, o remédio continuará sendo um só:

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” 1 Pedro 5:6 

 


 

 

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