Afinal de contas, devem ou não os Cristãos dar o Dízimo?

Este é um questionamento freqüente em discussões fora e dentro da Igreja de Cristo. Porém, assim como em relação a todas as coisas, nada jamais saberemos a não ser que consultemos as Escrituras, a Bíblia.

Nenhuma lei do Antigo Testamento foi “quebrada”, porém foram todas cumpridas pelo Senhor Jesus Cristo. Ele cumpriu TODA a Lei de Moisés e se ofereceu sem culpa alguma para morrer pelos nossos pecados, por isso o Pai recebeu como perfeito o sacrifício do Filho, pois Jesus Cristo cumpriu TODA a Lei.

Agora, muitos parecem desejar saber se o dízimo é ou não uma obrigação a ser cumprida pelos Cristãos de hoje. Categórica e enfaticamente afirmamos que NÃO.

O dízimo era uma ordenança da Lei de Moisés, como se vê na própria Lei:

“Também todas as dízimas da terra, tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.” Levítico 27:30

E veja como este mandamento fazia parte da Lei de Moisés, quando logo a seguir é dito:

“São estes os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai.” Levítico 27:34

A salvação é total e completamente pela graça de Deus pela obediência DO FILHO a TODA a Lei de Moisés, em suma: Nada há que possamos fazer a fim de sermos salvos, a não ser crer:

“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo. Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.” João 6:27-29

PORÉM, vejamos o que está escrito:

“Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda;” Provérbios 3:9 

O que significa isto? Como, afinal de contas, lidar com a questão do dízimo na Igreja?

A resposta está aqui:

“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Romanos 8:3,4

Isto significa que o preceito (a essência, os objetivos, a vontade de Deus) da Lei se cumpre na vida dos Cristãos pela atuação amorosa e condutora do Espírito de Deus, não mais na forma de ordenanças. Em outras palavras, cumprimos a vontade de Deus em Cristo de modo espontâneo por amarmos a Deus e por termos sido feitos Seus filhos em Cristo.

E qual era o objetivo dos dízimos na Lei? Era o de submeter a Deus tudo o que possuíam os judeus, a começar pelas suas próprias vidas e em seguida todo o poder material que possuíam. Esta sujeição a Deus está em conformidade com a Sua vontade para com toda a Sua criação, pois há somente um Senhor, e todos d’Ele somos servos e d’Ele dependentes:

“Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!” Marcos 12:29 

Logo, hoje, devemos honrar a Deus com não somente as primícias de toda a nossa renda, mas com a completa dedicação de nossas vidas a Deus e com tudo o que temos:

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Mateus 16:24 

O dízimo é apenas uma manifestação desta entrega, embora, como já dissemos anteriormente, não seja uma ordenança, pois a Lei de Moisés pertence à Antiga Aliança, e vivemos hoje sob a Nova Aliança:

“Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.” Hebreus 9:15 

É, pois, requerido de nós, Cristãos, que estejamos entregues a Deus com tudo o que somos e com tudo o que possuímos.

A função prática do dízimo era a de sustentar os sacerdotes de Deus, pois o Criador não precisa de coisa alguma, e muito menos do nosso dinheiro:

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;” Atos 17:24,25

“Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém.” Salmos 50:12 

“Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa;” Malaquias 3:10 

“Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao SENHOR em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança tereis.” Números 18:24 

“E trouxeram a sua oferta perante o SENHOR, seis carros cobertos, e doze bois; por dois príncipes um carro, e cada um deles um boi; e os apresentaram diante do tabernáculo. E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Recebe-os deles, e serão para servir no ministério da tenda da congregação; e os darás aos levitas, a cada qual segundo o seu ministério.” Números 7:3-5

E mesmo os Levitas que recebiam os dízimos dos filhos de Israel davam dízimos eles mesmos a fim de honrar a Deus e submeter-lhe tudo o que possuíam:

“Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao SENHOR: o dízimo dos dízimos.” Números 18:26 

Nos nosso dias, os dias da Igreja, somos todos considerados sacerdotes por Deus, em Cristo:

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” 1 Pedro 2:9 

Assim sendo, cabe a cada Cristão, individualmente, ter amor para com toda a Casa de Deus, a Igreja, a fim de que entre nós nada falte, ou seja, que não haja ninguém necessitado entre os Cristãos. Isto está escrito:

“Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” 2 Coríntios 8:12-15

Concluindo, tudo nisto se resume:

“Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Romanos 13:9 

Este é o sublime preceito da Lei.

Devemos então dar o dízimo? Por ordenança, NÃO! Por amor, SIM, a fim de honrarmos a Deus com as primícias de toda a nossa renda e a fim de que nada falte dentro da Igreja. Na verdade devemos dar muito mais do que a décima parte, mas sim tudo o que estiver ao nosso alcance, segundo Deus nos orientar:

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” 2 Coríntios 9:7 

Temos liberdade para decidir com quanto desejamos contribuir financeiramente para a obra de Deus, para a Sua Casa, a Igreja. Em Cristo estamos livres das ordenanças da Lei, mas eternamente comprometidos no Seu amor!

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” Colossenses 3:23 

 


 

 

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