O Retorno do Senhor Jesus Cristo no Último Dia

Passará a Igreja pela Grande Tribulação? Estudo Bíblico - Parte 1
 

Quando retornará o Senhor Jesus? Virá ele antes da profetizada Angústia de Jacó, a Grande Tribulação? Ou somente retornará após a referida Tribulação? De onde surgiram as doutrinas e os conceitos pré e pós milenistas? Sempre houve na Igreja de Cristo tais conceitos pré e pós Tribulação ou são acontecimentos de nossos dias? Afinal, o que diz a Bíblia?

Embora durante diversos outros períodos a Igreja de Cristo tenha se manifestado de modo a aguardar um iminente retorno do Senhor Jesus Cristo, não há sobre a terra quem possa afirmar que, nem de longe, outros períodos se assemelharam aos que presentemente vivemos neste Século XXI. E tal fato se dá em razão de uma só coisa: Do cumprimento das profecias bíblicas.

Uma Cronologia

No IV século DC a Igreja de Cristo já reconhecia o Livro de Apocalipse como sendo integrante do Cânon do Novo Testamento. Não havia dúvidas de que João, o apóstolo, era o autor inspirado do Livro do Apocalipse. Assim sendo, já desde os pais da Igreja primitiva, os cristãos já tinham conhecimento e estavam de posse das revelações de Deus sobre o fim do mundo e sobre o retorno de Cristo. A Igreja então já aguardava o retorno do Salvador. Há muitos registros históricos que mostram que este já era um tópico frequentemente mencionado nas assembléias cristãs.
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999/1000 foi o final do primeiro milênio da Era Cristã. A História registra que nessa época o Papa Silvestre presidiu uma grande reunião noturna na Basílica de São Pedro, em Roma, e o final do mundo estava sendo anunciado nessa noite. Porém não há registro de nenhuma grande expectativa a nível mundial sobre o retorno de Cristo naquela primeira virada de milênio, embora haja discordância entre historiadores sobre esta afirmação.
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1348 foi o ano em que a famosa Peste Negra dizimou um terço da Europa. Esta epidemia desencadeou um grande caos em toda a Europa e este, sem dúvida, foi um dos mais marcantes momentos da História onde realmente se acreditava que o fim estava iminente. A epidemia foi vista como um sinal de que o Juízo Divino estava próximo.
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Em 1517 o alemão Martin Luther (Martinho Lutero) prega suas famosas teses na porta de uma igreja em Wittemburg, Alemanha. Era o início da chamada Reforma Protestante, um movimento cristão que se opunha aos absurdos e aos excessos da Igreja Católica Romana, a qual vendia indulgências a preço de ouro com a argumentação de que assim haveria menos tempo a ser passado no fictício Purgatório. Lutero não apenas discordava de tais aberrações, bem como cria, corretamente, que o relacionamento dos Cristãos com Deus deveria se dar sem a intermediação da Igreja Católica e que a leitura da Bíblia deveria ser estendida a todos os Cristãos, e não um monopólio da Igreja de Roma. Seus esforços nesta área foram notáveis, a ponto de ele mesmo ter traduzido a Bíblia para o Alemão a fim de tornar as Escrituras acessíveis ao povo. A partir desta época houve uma explosão de conhecimento bíblico e de grande interesse pelas profecias bíblicas, o que, evidentemente, incluía as profecias do Livro do Apocalipse.  

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Em 1607 um fato extraordinário está a ocorrer. Os Puritanos Ingleses iniciam a colonização da América. Este interessantíssimo movimento de colonização foi, em parte, promovido devido a um ressurgimento de atenções sobre a proximidade do fim que acontecia na Inglaterra. Houve um intenso envolvimento dos Judeus nessa época, os quais acreditavam que a América seria seu novo lar, pois não lhes passava pela cabeça o que hoje acontece em Israel. Para os Puritanos a América poderia ser uma nova Jerusalém, pensamento que, com enfoque diferente, os judeus alimentavam. Este início do século XVII foi um momento marcante pois tanto os Judeus como os Puritanos empreenderam grandes e frutíferos esforços de colonização da América tendo a Bíblia como motivação.
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1650 é um ano chave na história das doutrinas da Igreja. O Bispo Anglicano James Ussher publica The Annals of the Old Testament Deduced from the First Origin of the World (Os Anais do Velho Testamento Deduzidos do Princípio da Origem do Mundo). Esta publicação influenciou de modo amplo a muitos e em vários países. Em sua publicação, James Ussher afirmava que o retorno de Cristo ocorreria por volta do ano 2000, baseado em antigas (e que se mantêm firmes até hoje) afirmações de que a Terra foi criada por volta de 4000 AC, assumindo que a História terá 6000 anos de atividade, baseado no relato bíblico dos seis dias literais da Criação.
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Em 1666 um grande incêndio devastou a cidade de Londres e deflagrou uma grande onda de atenção sobre o Livro do Apocalipse, pois estabeleceram uma relação entre o ano de 1666 com a marca da Besta, 666.
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Até o Século XVII não parecia haver nenhuma disputa teológica de peso sobre se o Senhor Jesus Cristo voltará antes ou depois do período que a Bíblia chama de A Grande Tribulação. Porém, como veremos a seguir, houve a introdução de doutrinas na Igreja de Cristo e de ensinamentos completamente discordantes da harmonia das Escrituras.

A Introdução de Doutrinas Estranhas na Igreja

Em 1844, Willian Miller se aventurou em campo perigoso e "previu" que o retorno de Jesus se daria em algum momento entre os anos de 1843 e 1844. Quando viram que o retorno de Cristo não ocorreu, Miller tratou logo de mudar a data. Muitos seguidores deixaram o grupo depois desse espetacular fracasso, mas um significativo grupo permaneceu, numeroso o suficiente para fundar a seita legalista dos Adventistas do Sétimo Dia (os adventistas, além de legalistas, afirmam em sua seita que não existe condenação eterna, e também afirmam que o Inferno não existe). Embora Miller tenha causado mais confusão do que qualquer outra coisa, alguns historiadores o consideram como uma peça importante que cooperou para o desenvolvimento das doutrinas escatológicas prevalentes no século XX.

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Em 1859 o ministro britânico John Nelson Darby começou a pregar na América. Foi ele o criador de uma engenhosa doutrina escatológica conhecida como Dispensasionalismo Pré-Milenista. E, por razões acadêmicas, esta é uma doutrina excessivamente prevalente em muitos seminários teológicos cristãos evangélicos até os dias de hoje. Um dos elementos mais marcantes de suas pregações escatológicas se refere ao Arrebatamento da Igreja. Darby afirmava que a Igreja de Cristo seria arrebatada antes do período bíblico da Grande Tribulação, tribulação que Derby afirmava duraria sete anos.

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1861-1865 foi o período da Guerra Civil Americana. O conflito foi de ordem tal que trouxe novamente uma grande atenção sobre as profecias apocalípticas e sobre o retorno de Jesus Cristo.

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1900 -1901, esta virada de década não parece ter sido marcada por nenhuma grande preocupação mundial com o iminente retorno de Cristo, mas sim pelo início de um grande movimento espiritual dentro da Igreja, o qual passou a ser chamado de Movimento Pentecostal. Desde então, e até os nossos dias, uma crescente atenção tem sido dada aos dons espirituais concedidos à Igreja de Cristo, tais como o dom de línguas, o dom de cura, o dom de profetizar e na sua grande importância na manutenção de uma Igreja fortalecida e preparada para estes terríveis dias em que vivemos. Dias de caos pelo mundo, de dor e de intensa guerra espiritual contra as trevas.

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Em 1909, um advogado norte-americano chamado Cyrus Scofield (1843-1921) publica a Bíblia de Referência de Scofield, nas margens da qual Scofield publicou muitos comentários sobre versículos e assuntos bíblicos. Seu trabalho foi um dos mais influentes na História da Igreja do século XX. E é exatamente este trabalho de Scofield que viria a ter uma enorme repercussão no que se refere à doutrina do retorno de Cristo antes da Grande Tribulação. Em seus comentários nas margens da Bíblia, Scofield divulgou ampla e insistentemente o sistema teológico de Darby, o qual afirma que o retorno de Jesus Cristo ocorreria antes da Grande Tribulação e que os verdadeiros cristãos seriam poupados desse terrível período. Quase cem anos após, por volta de 1990, muitas edições da Bíblia Scofield haviam sido vendidas, atingindo mais de 10 milhões de cópias nos Estados Unidos, o que a colocou entre os mais importantes documentos da literatura cristã do século XX, influenciando seminários teológicos de diversas denominações evangélicas e em várias partes do mundo.

Charles Taze Russell, o fundador da seita chamada de Testemunhas de Jeová afirmava que Jesus voltaria de modo invisível em 1874, seguido por um outro retorno em 1914, o que poria fim ao "tempo dos gentios". Em 1884 seus seguidores fundaram a Sociedade Torre de Vigia e tiveram a audácia de publicar uma tradução adulterada da Bíblia, tradução essa conhecida como Tradução do Novo Mundo das Escrituras. É uma versão da Bíblia grotescamente adulterada pela seita dos Testemunhas de Jeová (Sociedade Torre de Vigia). Já a versão adulterada que os Adventistas produziram é conhecida como The Clear Word Bible. As adulterações nessas versões falsificadas da Bíblia são gravíssimas!

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Antes da virada do Século XX, a doutrina do retorno do Senhor Jesus Cristo segmentado em um episódio invisível e em outro visível se propagou de modo impressionante pelas Igrejas de todo o continente Americano. E este fato se deu também pela enorme influência de Scofield a qual foi recebida, como já dito, em incontáveis seminários teológicos. Estranha e curiosamente, o conceito de um retorno invisível de Cristo e de outro visível, como pregava Russell, parece ter se mesclado às teorias de Scofield sobre a Segunda Vinda de Cristo. É o que hoje se conhece como Pré-Milenismo ou Pré-Tribulacionismo, a mesma doutrina que ensinava John Nelson Darby, agora algo modificada por Scofield e com conceitos semelhantes aos de Russell.

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Em 1914 eclode a Primeira Guerra Mundial, um conflito sem precedentes devido ao fato de ter sido o conflito de maior escala que o mundo jamais havia visto. Nesse período houve uma explosão de atenção sobre o fim do mundo, o juízo de Deus e o retorno de Jesus Cristo. Aqui, novamente, ressurge a figura de Russell, pois este havia dito que Cristo retornaria em 1914.

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1917 também foi um ano de grande importância para uma revisão da Teologia Cristã, pois nesse ano a Declaração Balfour expressava o apoio britânico ao estabelecimento de uma terra pátria para os judeus no Oriente Médio. Isto levou muitos a acreditarem que o fim estaria muito próximo, pois o Terceiro Templo poderá ser construído na terra de Israel e as profecias bíblicas referentes ao fim estão para se cumprir.

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Em 1929 o ditador italiano Benito Mussolini assina um acordo com o Papa. Este fato levou muitos a acreditarem que o fim estava próximo, pois este seria um sinal do ressurgimento do Império Romano e do aparecimento da Besta.

 

- Continuar para a Parte 2 deste Estudo...


 

 

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