Religião
Religião, religio e religare
|
O
problema principal em relação às religiões consiste na
necessidade da compreensão do fato que instituição religiosa
nada tem a ver com um autêntico relacionamento com Deus. O homem pensa, julga, supõe, cria, imagina e concebe. Para tal se utiliza do intelecto que é seu entendimento aliado ao seu raciocínio e juízo crítico. Naturalmente se esforça por elevar seu nível de compreensão e de avaliação de tudo o que o cerca e por isso medita e procura concluir. Porém, a angústia de muitos que morrem imersos nas dúvidas quanto a quem somos e de onde viemos revela onde a lamentável lacuna deixou de ser preenchida: na inerente natureza espiritual do homem, na sua indissociável relação com o sobrenatural. O homem é um ser espiritual por natureza, e assim sendo, não pode jamais se satisfazer, interior e plenamente, com as limitações impostas pelo que é físico e temporal. A mente humana pode medir, calcular, abstrair, avaliar e sentir. Mas o estado invisível da percepção, em última análise, transcende o físico e se enlaça ao invisível.
Sendo Deus Espírito, Sua natureza está acima do terreno do
lógico e do fisicamente perceptível (embora possa manifestar-se
de modo a mostrar-se tangível por qualquer um ou por todos os
cinco sentidos). Mas
desejando que o homem o busque em Sua natureza espiritual,
concede ao ser humano o dom de crer, tendo este a finalidade de
ser o meio pelo qual alguém pode compreender as coisas
espirituais e conhecer o próprio Deus. A fé não está subordinada à razão e tampouco é ela mesma irracional. Antes, a fé é um dom através do qual o homem compreende o incompreensível e discerne o que é humanamente indiscernível. E incompreensível e indiscernível, apenas e tão somente, se exclusivamente do intelecto natural desejar o homem depender. Eis aqui o porquê do fracasso da inquirição última do homem unicamente racional: a ausência de um coração que crê.
O
dom da fé não foi dado aos homens para suportarem o absurdo, mas
antes para compreenderem o que é mais elevado, para penetrarem
no que está deliberadamente oculto, e assim poderem aproximar-se
de quem por eles deseja ser encontrado, a saber, Deus. E
porque não podem e não conseguem compreender o que somente pela
fé é compreensível, manifestam e evidenciam sua arrogância e
rebeldia através do modo como se referem ao Autor da Sabedoria,
generoso e pronto a conceder que creiam os que por isto anseiam.
E para isto é aos homens concedida a oportunidade do
arrependimento (que significa: mudança de posição, mudança de
atitude ou mudança de
direção).
Repetida e corriqueiramente ouve-se que religião vem de "religare"
e que este religare significaria reatar o homem a Deus.
Porém não é assim. O
tal vocábulo religare nem sequer existe nos melhores
dicionários de Latim, e mesmo se existisse não foi esta a
palavra usada pelos tradutores das Escrituras quando se
depararam com o vocábulo original que se refere a um
comportamento de respeito, amor e devoção a Deus. A
palavra em português é religião, porém é derivada da palavra
utilizada na Vulgata Latina: Religio e na tradução alemã
de Martin Luther (Lutero) é Gottesdienst que pode ser
traduzida para: serviço a Deus. Portanto, Religio ou
Gottesdienst (ambas traduzidas do vocábulo grego:
qrhskeiav (aqui transliterado do grego) significam um
posicionamento de relação e de serviço voluntário a Deus, o que
se dá através do dom da fé.
Portanto Religião não significa religar, mas significa, como já
dito: Serviço a Deus. E esta palavra, religião, nunca jamais foi
citada nas Escrituras significando sinônimo de salvação.
Muitos no passado não criam, mas vieram a crer. Eu mesmo não compreendia a Bíblia, mas hoje a compreendo, e isto por modo sobrenatural divino, discernindo espiritualmente pelo dom que, por Deus, me foi concedido gratuitamente. De modo que o racional se mostra sujeito ao que lhe é superior: o espiritual. E o espiritual possui autoridade para intervir e modificar o natural. Deus é Senhor sobre toda a Sua criação, sobre a natural e sobre a espiritual.
|
