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Antes
de discorrermos biblicamente sobre o que significa a fé,
partamos imediatamente para a definição bíblica sobre a fé:
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção
de fatos que se não vêem.” Hebreus 11:1
O versículo bíblico acima nos remete a duas coisas: CERTEZA e
CONVICÇÃO. Mas certeza e convicção sobre o que, exatamente?
Em primeiro lugar, todas as promessas de Deus merecem absoluta
credibilidade, certeza e confiança, e esta confiança no que Deus
diz se chama fé. Por outro lado, ouvir alguma promessa de Deus e
nela não crer significa incerteza e desconfiança. Logo, o oposto
da fé é a falta de confiança no que Deus diz, e isto se chama
incredulidade.
Imagine que você que lê este artigo possua plena convicção de
sua própria honestidade, honra e capacidade de cumprir o que
diz. Pois bem, munido (ou munida) desta sua certeza, você dá a
sua palavra a alguém. E a pessoa que lhe ouve, sabedora da sua
honradez, simplesmente lhe responda: Ah! Não sei não! Por que
haveria eu de lhe dar crédito? Como você se sentiria?
Seguramente triste e decepcionado (ou decepcionada).
Pior ainda seria se a pessoa que lhe ouve dissesse: Mentira!
Não acredito no que você diz. Não dou crédito nenhum às suas
palavras. Que reação você teria senão decepção e até mesmo
ira?
Pois
é assim que Deus se sente ao duvidarmos de suas palavras. E
duvidar de Deus é o caminho mais rápido rumo à ruína pessoal,
nesta vida e no porvir, pois na verdade, Deus é o único que
merece total, incondicional e irrestrita confiança. E não nos
esqueçamos que a incredulidade, além de ser pecado, é uma das
formas de se desonrar a Deus.
Na antiguidade, ai daquele que diante de um rei dissesse algo
como: O que é a tua palavra, ó rei? E este grande
respeito e honra aos reis terrenos perduraram por séculos, e em
vários casos perduram até hoje, embora a degenerescência e a
degradação humana fizeram com que a palavra de reis (hoje
presidentes, primeiros-ministros, etc.) perdesse sua histórica
credibilidade (veja o exemplo trágico do Brasil). Todavia, Deus
diz de si mesmo:
“Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha
palavra para a cumprir.” Jeremias 1:12
A santidade e o caráter de Deus são eternamente imutáveis, de
sorte que não há motivo algum para que dele duvidemos, ou seja,
para deixarmos de lhe dar crédito, honrando-o pela fé (a
confiança e a convicção) nas suas palavras.
Quando Deus tirou o seu povo do Egito, livrando os judeus da
opressão do Faraó do Egito, Deus prometeu que os conduziria a
uma terra deleitosa, terra que manava leite e mel. Foi assim que
falou o Senhor:
“Mas a vós outros vos tenho dito: em herança possuireis a sua
terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana
leite e mel. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos separei dos
povos.” Levítico 20:24
E mesmo tendo ouvido a palavra de Deus e visto suas muitas
maravilhas que ele realizou tirando o povo do Egito e o
conduzindo à terra prometida, houve os que (impressionantemente)
não deram crédito a Deus, murmuraram contra ele, duvidaram em
seus corações e o desonraram, de certo modo chamando-o de
mentiroso. E o que sucedeu àqueles que não creram?
“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais
o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que,
tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que
saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se
indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos
cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não
entrariam no seu descanso, senão contra os que foram
desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa
da incredulidade.” Hebreus 3:15-19
Ora, estas coisas sucederam ao povo da Antiga Aliança, o Antigo
Testamento, e não apenas são literais como muito mais do que
isso, pois são também alegorias reais que simbolizavam os nossos
dias, onde o povo de Deus dos nossos dias, o povo do Novo
Testamento, da Nova Aliança feita em Cristo, está sendo
conduzido por Deus a uma nova terra prometida, só que desta vez
celestial e eterna, logo muito mais grave é a incredulidade em
nossos dias do que foi a incredulidade dos judeus da Antiga
Aliança. Grave ainda pois as promessas do Evangelho do Senhor
Jesus Cristo requerem de nós a confiança nas promessas de Deus
feitas em Cristo, independentemente de obras da lei, pois os
judeus do Antigo testamento estavam sujeitos a ordenanças as
quais já foram todas cumpridas pelo Senhor Jesus em seu
ministério terreno, tendo-nos sido tudo dado graciosamente sem
que de nada precisemos a fim de alcançar estas grandes
promessas, senão de fé. Veja que é o próprio Senhor quem isto
nos diz:
“Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para
realizar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus
é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.” João
6:28,29
A Fé não necessita de esforço intelectual
algum!
Existem livros, estudos, trabalhos e tratados aos montes
procurando tratar, intelectualmente, do assunto sobre o que seja
a fé. E isto sem falar em diversas definições falsas e ridículas
do que seja a fé. E justamente por não possuírem a fé genuína, a
qual é um dom de Deus, é que tantos e tantos trabalhos escritos
sobre a fé são totalmente inúteis, alguns deles completamente
falsos e prejudiciais à alma. Como acabamos de dizer, a fé é um
dom de Deus, é sobrenatural e não é alcançável senão por um
coração sincero e humilde que se rende a Deus na pessoa do
Filho, o Senhor Jesus, como escrito está:
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o
vosso coração.” Jeremias 29:13
Desconfiança em Deus e incerteza, o oposto da
fé: a incredulidade
Se somos cristãos e pedimos algo a Deus e não recebemos, são
dois os principais motivos para isto.
1- A incerteza (dúvida) e a hesitação em nosso
comportamento.
E
Tiago explica isso de modo irretocável em sua Epístola:
“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a
Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e
ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;
pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada
pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor
alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus
caminhos.” Tiago 1:5-8
A onda do mar cresce, se eleva, é agitada pelo vento e depois
tomba, termina, acaba. Esta comparação bíblica entre a onda do
mar e o ânimo inseguro se refere ao comportamento hesitante e
incompatível com alguém que tenha a certeza de que obterá de
Deus o que pediu. Pois de que me adianta pedir a Deus algo de
que eu necessite e, concomitantemente, andar ansioso,
apreensivo, inquieto e entristecido? Como diz o trecho bíblico
acima: “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor
alguma coisa”. E isto porque:
“Sem fé é impossível agradar a Deus” Hebreus 11:6
2 - Quando Deus não é a prioridade em nossas vidas.
Se acreditarmos que podemos fazer de Deus alguma espécie de
serviçal de nossos desejos e caprichos, um simples doador de
bens materiais, um casamenteiro, um vingador de nossos inimigos
ou ainda uma pessoa de importância secundária em nossas vidas,
então podemos ser, e com toda a razão, chamados de estúpidos.
Ora, se toda a criação existe por meio dele e para ele, e se
dele depende o destino temporal e eterno de nossas almas, que
poderíamos esperar de Deus olhando-o dessa forma infantil e
inconsequente, colocando-o como uma pessoa secundária em nossa
hierarquia de importâncias existenciais? E não são poucos os que
assim procedem! Veja como o Senhor Jesus Cristo claramente
reprova este tipo de atitude:
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós
me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos
pães e vos fartastes.” João 6:26
Por outro lado, vejamos como o Senhor se agradou imensamente da
fé - confiança e certeza nas palavras e no poder do Filho Deus -
da mulher que expressou tamanha confiança em Deus:
“Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e
Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas
regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Minha filha está horrivelmente endemoninhada. Ele, porém, não
lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se,
rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. Mas
Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da
casa de Israel. Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor,
socorre-me! Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o
pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo,
replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas
que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó
mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde
aquele momento, sua filha ficou sã.” Mateus 15:21-28
“Faça-se contigo como queres” é uma sentença tremenda da
parte de Deus, pois pela fé se pode obter grandes coisas de
Deus, a ponto de à mulher lhe ter sido dito: “Faça-se como
queres”.
E em
outro tracho bíblico o Senhor condiciona o recebimento daquilo o
que pedimos a Deus ao tamanho da nossa fé:
“Tendo ele entrado em casa, aproximaram-se os cegos, e Jesus
lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso?
Responderam-lhe: Sim, Senhor! Então, lhes tocou os olhos,
dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé. E
abriram-se-lhes os olhos.” Mateus 9:28-30
O versículo bíblico a seguir nos mostra como ao associarmos a fé
com a soberania e supremacia de Deus em nossas vidas podemos
obter do Senhor até aquilo o que sequer pensávamos: os desejos
mais íntimos e privados dos nossos corações:
“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu
coração.” Salmos 37:4
Agradar-se do SENHOR significa amá-lo!
Outro motivo óbvio porque não obtemos determinadas coisas de
Deus é porque pedimos coisas absurdas, as quais sem mesmo
sabermos poderão se transformar em prejuízos para nós mesmos.
“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes
em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade
do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo
do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Tiago 4:3,4
Conhecemos um fato recente de um jovem que frequentemente se
embriagava, o qual insistentemente pedia ao seu pai que lhe
desse um carro. Pela pressão o pai cedeu. Cerca de um mês após
ter recebido o carro, o rapaz, embriagado, se espatifou contra
um poste morrendo no local. Agiria Deus com tamanha falta de
sabedoria para com qualquer um de seus filhos? Certamente que
não.
Os Objetivos da Fé
Os objetivos deste dom divino, dado aos homens a fim de que
possam receber comunhão com Deus através do Filho Jesus, são em
última análise o da salvação de nossas almas e também com a
finalidade de que trabalhemos pela causa de Cristo, e a causa de
Cristo é a pregação do Evangelho e a edificação da Igreja, no
sentido de colaborarmos uns com os outros, em amor, para a saúde
dos membros do corpo de Cristo, os quais somos nós a Igreja.
“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se
necessário, sejais contristados por várias provações, para que,
uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do
que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor,
glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo
visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com
alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé:
a salvação da vossa alma.” 1 Pedro 6-9
A fé
em Jesus Cristo nos torna filhos de Deus, nos transforma em seus
herdeiros celestiais, nos faz poderosos na guerra espiritual,
nos dá acesso aos mistérios mais íntimos de Deus, nos guarda do
mal, dissipa nossas dúvidas existenciais, dá sentido às nossas
vidas, nos torna úteis nas mãos de Deus e faz dele nosso Senhor,
Deus e Rei, hoje e pelos séculos dos séculos.
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de
fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom
testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela
palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das
coisas que não aparecem. Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais
excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de
ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por
meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala. Pela fé,
Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado,
porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve
testemunho de haver agradado a Deus. De fato, sem fé é
impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que
se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna
galardoador dos que o buscam.” Hebreus 11:1-6

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