Apocalipse 6. Os Eventos que sucederão quando da Abertura dos Sete Selos do Livro do Cordeiro

“Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem! Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” Apocalipse 6:1,2

No estudo anterior: Apocalipse 5. O Livro na Mão do Cordeiro, já identificamos que livro é este que se encontra nas mãos do Senhor Jesus Cristo. E neste presente estudo, como havíamos prometido, falaremos sobre os eventos que sucederão quando da abertura de cada um dos sete selos, os quais são sinais de que o fim se aproxima, como veremos neste estudo.

Este presente capítulo 6 do Apocalipse é um dos mais notáveis capítulos do último dos livros da Bíblia, pois dele depende a compreensão de quase tudo o que virá a seguir neste livro da Revelação de Jesus Cristo.

Também é, como teremos de ver adiante, uma reafirmação de tudo o que o Senhor Jesus Cristo nos fala a respeito do fim nos Evangelhos. Há uma indissociável e tremenda relação entre os relatos de Cristo sobre o fim, os relatos dos profetas Daniel, Joel e Zacarias e este capítulo 6 do Apocalipse. Portanto, é indispensável que ouçamos, primeiramente, o relato do Senhor Jesus nos Evangelhos, para podermos entender com maior precisão este capítulo 6 do Apocalipse.

Quando o Senhor estava assentado no Monte das Oliveiras, seus discípulos lhe fizeram uma importantíssima pergunta, a qual foi:

“Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.” Mateus 24:3

Observem a profundidade e a complexidade da pergunta, a qual foi dirigida ao Senhor Jesus após ele ter dito que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada do segundo Templo, construído em 516 AC, e que foi destruído (porém não completamente, parte dos muros permanece de pé, até hoje, em Jerusalém) pelos romanos no ano 70 AD. Os discípulos estavam indagando sobre quando viria o fim e sobre que sinal haveria da volta de Cristo. Atentemos bem para o fato de que os discípulos indagaram sobre os sinais da vinda de Cristo! E ele lhes respondeu.

Respondendo o Senhor, disse-lhes, em primeiro lugar, que se acautelassem dos falsos profetas e dos falsos cristos que surgiriam e que enganariam a muitos. Esta é, portanto, mais uma solene declaração do Senhor Jesus a fim de advertir a Igreja sobre as muitas mentiras que Satanás tem propagado, e que ainda propagará, com vistas a enganar os incrédulos e, se possível, os próprios cristãos (referimo-nos aqui aos cristãos verdadeiros, aos nascidos de novo, e não a meros simpatizantes do Evangelho, como é, lamentavelmente, o caso da esmagadora maioria dos católicos e que também, ainda mais infelizmente ainda, é o caso de muitos que a si mesmos chamam de evangélicos).

Em seguida, o Senhor Jesus Cristo passa a apresentar um compreensível relato sobre os eventos que sucederão no mundo até que ele retorne. E o capítulo 6 do Apocalipse reitera e acrescenta detalhes sobre estes eventos. A chave para que se possa compreender a cronologia desses eventos, os quais começarão a ocorrer após a abertura do primeiro dos sete selos, é precisamente este relato do Senhor contido nos Evangelhos.

Paciência, dedicação, humildade diante de Deus e fé são elementos indispensáveis à compreensão dos mistérios de Deus, portanto, lhe pedimos que leia, atentamente, todo o capítulo 24 do Evangelho Segundo Mateus, antes de você prosseguir com este estudo. Fazendo assim, sua compreensão sobre o capítulo 6 do Apocalipse será bem mais fácil e precisa.

No capítulo 24 do Evangelho Segundo Mateus, o Senhor faz um amplo relato que vai desde a sua advertência sobre os falsos cristos e falsos profetas, passando pela perseguição da Igreja, pelas guerras e pelos rumores de guerras que ainda haverá no mundo, fomes, terremotos e morte, até a sua segunda vinda, quando ocorrerá o arrebatamento da Igreja e a desgraça dos que forem deixados para trás. Ele também menciona o surgimento da besta, o abominável da desolação, o qual se assentará em Jerusalém buscando passar-se por Deus, e quão terríveis serão aqueles dias, os quais não tivessem sido abreviados pelo Pai, ninguém se salvaria. E aqui reafirmamos, não há como bem compreender o Apocalipse sem que bem se compreendam os Evangelhos.

O Cavalo Branco e o Cavaleiro com um Arco

“Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem! Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” Apocalipse 6:1,2

A abertura do primeiro dos sete selos que selam o Livro da Vida dá início ao último período da história humana, ou seja, com a abertura do primeiro selo se inicia o irreversível processo rumo ao fim do mundo e à chegada do juízo de Deus. Para nossa alegria, é também uma como que contagem regressiva até que tenha, finalmente, chegado a hora da nossa redenção e salvação eterna, o que acontecerá quando o Senhor vier em grande glória.

Este cavaleiro montado sobre um cavalo branco recebeu uma coroa e está com um arco. E, observemos bem, a sua chegada antecede toda uma séria de eventos trágicos que sobrevirão ao mundo, a saber, guerras, fome, pestes e morte, terremotos, a queda das estrelas do céu, e o grande temor que sobrevirá aos que habitam sobre a terra, devido à chegada do dia da ira do Cordeiro e do juízo de Deus.

A coroa que foi dada a esse cavaleiro significa um reino e o arco significa guerra e perseguição. Este cavaleiro é a besta descrita no capítulo 13 do Apocalipse, o qual trará guerra sobre a terra e empreenderá a mais atroz de todas as perseguições que já houve contra os cristãos em toda a história da Igreja. Se você desejar saber melhor sobre o que e quem é a besta, sugerimos-lhe que leia este artigo que já publicamos sobre este assunto.

Sobre a coroa que ele receberá e sobre as guerras que trará sobre o mundo, isto já foi profetizado pelo profeta Daniel. Daniel fala sobre ambas estas coisas, a saber, sobre as guerras e sobre a perseguição aos cristãos, chamados por ele de o povo santo:

“Levantar-se-á um rei de feroz catadura e especialista em intrigas. Grande é o seu poder, mas não por sua própria força; causará estupendas destruições, prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo. Por sua astúcia nos seus empreendimentos, fará prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos humanas.” Daniel 8:23-25

Este cavaleiro, que aparecerá após a abertura do primeiro dos sete selos do Livro do Cordeiro, é o governo da besta, que será uma aliança de dez nações, sobre a qual também falou o profeta Daniel. A besta será uma confederação de dez nações, cujos dez reis são representados por dez chifres, e esta confederação será liderada por sete cabeças, as quais também serão sete reis, porém cada um a seu tempo, ou seja, a aliança dos dez reis - os chifres - será liderada por sete cabeças (reis) que virão em uma sequência cronológica, um após o outro. Serão sete reis, sendo a última das cabeças a besta do capítulo 13 do Apocalipse, o oitavo rei que procede dos sete.

“Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.” Apocalipse 17:9-14

Será este o rei que virá contra Cristo, quando este se encontrar em Jerusalém, na guerra do Armagedom. Também sobre esse oitavo rei, o Apocalipse fala que fará guerra contra os santos e os vencerá. A identificação deste cavaleiro, o qual tem uma coroa e um arco (reino e guerra), com a besta dos capítulos 13 e 17 do Apocalipse não é difícil, pois o Apocalipse menciona dez reis que enfrentarão o Príncipe dos príncipes, que é o Senhor Jesus Cristo, e que somente um deles terminará liderando toda a confederação das dez nações, as quais virão contra Cristo no dia do Armagedom. Vejamos a semelhança do relato do profeta Daniel com o relato do apóstolo João no Apocalipse:

“Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.” Daniel 7:24,25

“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” Apocalipse 13:1-8

“Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.” Apocalipse 17:12-14

Importante entendermos aqui que o momento do surgimento da aliança das dez nações - os dez chifres, ou dez reis que dela farão parte - não é o mesmo momento quando se levantará o oitavo rei de que fala o capítulo 17 do Apocalipse. O oitavo rei será a besta que agirá juntamente com o falso profeta, também chamado de besta. O oitavo rei é aquele que o Senhor Jesus chama de o abominável da desolação, o qual estará em Jerusalém e buscará ser adorado como se fosse Deus. Este oitavo rei será lançado vivo dentro do lago do fogo, juntamente com o falo profeta, no dia do retorno do Senhor Jesus.

Segundo o Apocalipse, a Besta, o oitavo rei, procederá das sete cabeças, e não dos dez chifres que serão os líderes da aliança de dez nações, hoje já se configurando no movimento imperialista global, a Nova Ordem Política, Militar e Econômica Global, ou simplesmente, a Nova Ordem Mundial. Acreditamos que esta confederação das dez nações sairá do que hoje conhecemos como G8. Confira, novamente e atentamente, este trecho bíblico a seguir:

“Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.” Apocalipse 17:9-14

O Cavalo Vermelho e seu Cavaleiro com uma grande Espada

“Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem! E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada.” Apocalipse 6:3,4

Na sequência dos eventos finais, agora surge um cavaleiro montado em um cavalo vermelho, simbolizando sangue, e o fato de lhe ter sido dado tirar a paz da terra e uma grande espada, significa GUERRAS. Isto está em conformidade perfeita com a sequência dos eventos anunciada pelo Senhor Jesus em Mateus 24, e com tudo o que já foi explicado acima. Eis a sequência dos eventos de que nos fala o Senhor e observem a harmonia entre Mateus 24 e Apocalipse 6.

“E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores.” Mateus 24:6-8

O Cavalo Preto e seu Cavaleiro com uma Balança

“Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.” Apocalipse 6:5,6

Em Mateus 20, vemos o Senhor nos apresentando a Parábola dos Trabalhadores, e nesta parábola, um dia inteiro de trabalho equivalia a um denário. Já neste versículo 6 do capítulo 6 do Apocalipse, vemos que será necessário um denário para se adquirir uma medida de trigo ou três medidas de cevada. Pelo estudo das medidas antigas, uma medida de trigo (choinix) equivalia, aproximadamente, a um quilo. Então vemos uma situação onde temos o equivalente de um dia de trabalho para que se possa comprar apenas um quilo de trigo. Para se ter uma idéia do que isto significa, um quilo de trigo bruto, hoje, custa cerca de R$ 1,50 a preço de mercado. Se dividirmos o valor mensal do salário mínimo de hoje por 20 dias trabalhados, teremos o equivalente ao quilo de trigo custando R$ 23,25, o que significaria um aumento de 1550% sobre o valor do trigo. E isto só pode significar uma coisa: FOME. Não acreditamos que haverá falta de comida na terra por falta de provisão da parte de Deus, todavia, a miséria está se alastrando sobre o mundo inteiro, e estima-se que hoje a metade da população mundial (estimada em cerca de 7 bilhões de pessoas) esteja vivendo em profunda pobreza ou em absoluta miséria. A atual crise econômica e a tensão internacional tenderão, à semelhança do que ocorreu na segunda guerra mundial, a conduzir o mundo inteiro à guerra e à fome. Sendo que no período da abertura dos sete selos, a situação será irreversível. Novamente, vejamos como o capítulo 6 do Apocalipse repete a sequência de eventos anunciada pelo Senhor Jesus:

“E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores.” Mateus 24:6-8

O Cavalo Amarelo e o seu Cavaleiro chamado Morte

“Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra.” Apocalipse 6:7,8

A cor amarela se refere ao livor cadavérico dos corpos mortos, os quais assumem uma coloração amarelada quase que imediatamente após a morte.

O capítulo 21 do Evangelho Segundo Lucas é o equivalente em narrativa ao capítulo 24 do Evangelho Segundo Mateus. E lá vemos a sequência dos eventos do fim dada pelo Senhor Jesus:

“Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu.” Lucas 21:10,11

Neste momento, quando da abertura do quarto selo, a situação se agrava bastante. Já estão em ação os três cavaleiros anteriores, a BESTA, as GUERRAS e as FOMES. Agora não somente entram em ação as EPIDEMIAS, bem como a este cavaleiro amarelo é dado matar pela guerra, pela fome, por epidemias e por meio das feras da terra a quarta parte da população. Como já dito anteriormente, a população mundial já está nos 7 bilhões de pessoas. Sendo assim, a quarta parte da população da terra sendo morta, teremos cerca de 1 bilhão e 750 milhões de mortos, o equivalente a quase dez vezes a população do Brasil composta de cadáveres. A palavra fera (do grego therion = besta, selvagem, feroz) usada neste capítulo 6 do Apocalipse, é a mesma palavra usada para se referir à besta que virá quando o primeiro selo for aberto. Entendemos que a mortandade causada pelas feras da terra não se refere a animais ferozes, como tigres ou leopardos, mas sim a homens criminosos, sanguinários e assassinos, os quais se multiplicarão no decorrer dos anos adiante de nós. Haverá uma extraordinária multiplicação do número de criminosos, de corruptos e de corruptores, de ladrões e de assassinos, e haverá muita violência sobre a terra. E isto está em conformidade com o que disse o Senhor sobre a multiplicação do pecado e da maldade nos últimos dias que antecederão o fim. E isto ele diz no mesmo lugar onde ele nos apresenta a sequência dos eventos do fim.

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.”  Mateus 24:12 

Nesse tempo, haverá também uma intensa e feroz ação dos demônios, os quais estarão possuindo os corpos de muitas dessas feras da terra.

O Quinto Selo e a Perseguição da Igreja

“Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.” Apocalipse 6:9-11

Na magnífica sabedoria e na grandiosidade do amor de Deus, ele nos adverte e alerta sobre a perseguição que teremos de padecer, ao mesmo tempo em que nos apresenta uma poderosa consolação. Neste cenário do capítulo 6 do Apocalipse vemos as almas dos cristãos perseguidos por causa do testemunho de Cristo conscientes e falando com o Senhor. O fato de estarem debaixo do altar significa que foram salvas e que estão em conforto. A cada um deles é dada uma vestidura branca. Estas vestiduras brancas possuem um significado belíssimo, pois significam santidade e o fato de que suas mortes por causa do testemunho de Cristo não foram em vão, pois seus atos de justiça (suas boas obras) os acompanham até os céus. Vejamos onde isto está nas Escrituras.

“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos.” Apocalipse 19:7,8

Estas vestiduras brancas, de linho finíssimo, resplandecente e puro significam também a preparação para o momento das bodas do Cordeiro, o que sucederá quando ocorrer a ressurreição da vida, onde as almas dos justos serão reunidas a seus próprios corpos ressuscitados e assim, em corpos celestiais e eternos, nos alegraremos com o Senhor Jesus nas bodas do Cordeiro. Estas vestes também significam o preparo para o momento quando seremos reunidos nas nuvens com o Senhor Jesus Cristo e seus exércitos de anjos no dia do arrebatamento da Igreja, que é o dia da ressurreição e da volta de Cristo, o último dia.

“Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.” Apocalipse 19:11-16

Novamente, e mais esta vez, advertimos a Igreja, em nome do Senhor Jesus Cristo, que se prepare para ser perseguida, pois é disto o que estão tratando estes versículos de 9 a 11 do capítulo 6 do Apocalipse, e pela cronologia dos eventos bíblicos, quando da abertura do quinto selo, o Senhor ainda NÃO TERÁ RETORNADO, logo o arrebatamento da Igreja não poderá ter ocorrido ainda! Está escrito que a besta fará perseguição contra os santos e que prevalecerá, levando muitos cristãos aos cárceres e à morte. Não é motivo para nenhum desespero, mas para a aceitação do plano de Deus tal como ele o traçou, sendo loucura a tentativa de criarmos escapes fantasiosos e falsos para não admitirmos a realidade que está à nossa frente. Perseguição e dor, sim, mas um final tremendamente glorioso para a Igreja, o qual não será propriamente um final, mas o começo do dia eterno, quando herdaremos o Reino de Deus e veremos o Senhor Jesus Cristo face a face, e o ouviremos nos chamar pelo nosso novo nome, de sua própria boca. Antes, porém, será necessário que a Igreja seja embranquecida pelo fogo do sofrimento da perseguição pela qual terá de passar.

“Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao tempo do fim, porque se dará ainda no tempo determinado.” Daniel 11:35

“Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos.” Apocalipse 13:7-10

Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vaisignifica a prisão de cristãos e Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada” significa a morte de cristãos por causa do testemunho de Cristo, por isso neste mesmo lugar está escrito: Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos”.

Estas coisas também estão alinhadas com o relato sobre os eventos do fim apresentado pelo Senhor Jesus Cristo em Mateus 24 e em Lucas 21:

“Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.” Mateus 24:9

“E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós. Lucas 21:16

No relato do Evangelho Segundo Lucas, temos ainda a revelação de que o princípio das dores será PRECEDIDO pela perseguição aos cristãos.

“Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu. Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome; e isto vos acontecerá para que deis testemunho.” Lucas 21:10-13

A seguir veremos o que sucederá quando da abertura do sexto selo do Livro do Cordeiro. Este tem sido considerado um dos mais difíceis trechos do Apocalipse, principalmente pela aparente dificuldade de se compreendê-lo cronologicamente em relação às sete trombetas e às sete taças da cólera de Deus. Sendo assim, o estudo deste trecho do Apocalipse requer de nós uma atenção e um cuidado todo especial. Lembremo-nos de que o Apocalipse faz menção de sete selos que serão abertos, sete trombetas que serão tocadas e sete taças da cólera de Deus que serão derramadas sobre a terra. Todavia, o Apocalipse não foi escrito de modo que estas sequências e suas cronologias sejam facilmente compreendidas pelo simples exercício do intelecto humano. É necessária a direta intervenção de Deus para a sua compreensão, pois se tratam de mistérios a serem revelados.

A Abertura do Sexto Selo, a Anunciação da Chegada do Dia do Senhor

“Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” Apocalipse 6:12-17

O que sucederá quando da abertura do sexto selo também já havia sido dito pelo Senhor nas sequências dos capítulos 24 de Mateus e 13 de Marcos. Vejamos:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.” Mateus 24:29-31

“Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.” Marcos 13:24-27

Aqui neste ponto, não podemos nos esquecer do que foi dito pelo profeta Joel e repetido pelo apóstolo Pedro no livro dos Atos dos Apóstolos. Vejamos:

“Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Atos 2:16-21

Ora, porque o profeta Joel e o apóstolo Pedro dizem que O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor”? Porque esse ANTES está ali? Isto está assim dito porque eventos ainda se sucederão antes do momento exato da volta de Cristo, que é o Dia do Senhor, e um desses eventos é o Armagedom. Recorramos, pois, ao livro do profeta Zacarias, o qual também fala sobre o Dia do Senhor e sobre o Armagedom.

“Eis que vem o Dia do SENHOR, em que os teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade. Então, sairá o SENHOR e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha. Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul. Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então, virá o SENHOR, meu Deus, e todos os santos, com ele. Acontecerá, naquele dia, que não haverá luz, mas frio e gelo. Mas será um dia singular conhecido do SENHOR; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde.” Zacarias 14:1-7

O que o profeta Zacarias está afirmando quando diz que o Dia do Senhor não será nem dia nem noite, mas que haverá luz à tarde? O que a Bíblia está dizendo é que entre o período que vai desde a abertura do sexto selo até o Armagedom e o juízo de Deus, eventos apocalípticos ainda terão lugar, dentre eles o cerco de Jerusalém pela besta e pelos seus exércitos e a batalha do Armagedom propriamente dita. Então o Senhor descerá dos céus para ressuscitar os seus eleitos e arrebatar a sua Igreja, e para pelejar contra a besta e seus exércitos, salvando Jerusalém da completa aniquilação. E vejamos como o Senhor Jesus, ainda faz uma das últimas advertências à Igreja sobre o momento da sua vinda. E isto ocorrerá quando o sexto anjo derramar uma das sete taças da cólera de Deus.

“Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso. (Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.) Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.” Apocalipse 16:12-16

O profeta Zacarias nos está dizendo que o Dia do Senhor não será um dia tal como o conhecemos, com manhã, tarde e noite, mas um período de tempo singular, onde eventos apocalípticos terão lugar. Por isso está escrito: Mas será um dia singular conhecido do SENHOR; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde.” Zacarias 14:7. E é, precisamente, pelo fato de o Dia do Senhor ser um período singular de tempo que tantos eventos ocorrerão naquele dia. E esta é uma das chaves para que se possa entender a cronologia do Apocalipse.

No próximo estudo, trataremos da abertura do Sétimo Selo, cujo relato não se encontra no capítulo 6 do Apocalipse, mas no capítulo 8. E pensamos que seja melhor desta forma, pois teremos de falar sobre as Sete Trombetas e sobre as Sete Taças da Cólera de Deus, as quais serão derramadas sobre a terra. E cremos, a cronologia desses eventos será ainda melhor compreendida, bem como o significado do período de tempo que a Bíblia chama de o Dia do Senhor. Não é por acaso que o relato sobre a abertura do sétimo selo é precedido por diversos outros relatos no Apocalipse, e teremos de falar sobre eles. Sugerimos-lhe que releia este estudo, confrontando-o com a Bíblia, que o examine cuidadosamente, a fim de que você esteja melhor preparado para o estudo seguinte.

Que Deus lhe abençoe! E ore por nós!

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