Dilemas da
Existência e a Bíblia
Definir a existência não é uma tarefa fácil. Contudo, ao se iniciar o
processo de conscientização a respeito da vida, o que normalmente ocorre no
período da adolescência, o ser humano começa a indagar a respeito de quem é
e a respeito do seu papel nesta vida. O questionamento vai, ano após ano,
tomando corpo e, freqüentemente, culmina com a conhecida indagação: Quem sou?
De onde vim e para onde irei?
Conhecidos pensadores e filósofos, tanto os da antiguidade como os da
atualidade, persistem, muitos deles, nestas mesmas questões. Este tipo de
inquirição, se sustentada por uma perspectiva humanística, leva muitos a adotar
uma postura antropocêntrica, isto é, o homem como sendo o centro e a causa de
todo o processo de existir. Este é o primeiro passo para a elaboração de
filosofias e também de teorias a respeito da realidade da existência. Bons
exemplos disto são as famigeradas, insustentáveis e cientificamente fraudulentas
teorias do big bang e da evolução. Este tipo de argumentação meramente especulativa é como
um andar em círculos ou como dar murros em ponta de faca, pois nunca jamais se
pode sair do terreno da imaginação. Nestes casos, a fantasia toma o lugar da
verdade.
Contudo, ao observarmos, de coração sincero, a natureza que nos rodeia,
poderemos perceber o toque sobrenatural de Deus em toda a sua criação. A
perfeita harmonia de formas, cores, funções, equilíbrio, constância e beleza
nos levam diretamente ao reconhecimento da existência de um Criador sábio,
inteligentíssimo e sobremaneira preciso. Assim observando a natureza que Deus
criou, o homem pode iniciar uma caminhada em direção ao ponto correto de
onde deve observar e aprender com a criação, ou seja: Deus é a verdadeira razão
para todas as coisas existirem. Como está escrito:
"Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." Salmos 19:1
Deste ponto em diante, o homem passa a perceber e a reconhecer um sentido para a sua própria existência. Já não mais sobrecarregado com a árdua (e impossível) tarefa de tentar explicar a existência por seus próprios meios limitados, o homem passa a APRENDER sobre a existência.
Todo o propósito para a vida humana, para a natureza e para todo o cosmos
reside no indispensável entendimento do fato de que o homem é uma criatura, e
sendo criatura é dependente, e dependente do Criador.
Ao olharmos desta forma a existência, poderemos entender que Deus é o início
e o fim de toda a indagação, inquirição e questionamentos a respeito da
realidade da existência.
A conseqüência direta da contemplação da existência tendo Deus como seu
maior anseio conduz o homem pela busca de um conhecimento mais profundo do seu
Criador. E o resultado desta busca redunda em paz de espírito, sabedoria,
consolo e segurança.
"Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim." Senhor Jesus Cristo, Apocalipse 22:13
A Existência
e o Melhor da Vida
Ao contemplarmos a natureza que nos rodeia, o mar, as florestas, os montes, os
animais, enfim, a criação, somos levados a um estado de reconhecimento
imediato da beleza estética com que Deus contemplou as suas obras. Como escreveu
Paulo, os homens são indesculpáveis por deixarem de dar glórias a Deus pela sua
eterna majestade.
"Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis." Romanos 1:18-23
Nossos olhos desejam e cobiçam as belezas e os prazeres desta vida. Sentimos um impulso que nos convida a banquetear e a festejar a vida. Desejamos obter o máximo e o melhor possível em nossa existência física. Ao assistirmos televisão, ao ler revistas, ao caminhar pelas cidades, logo nos é passada a idéia de que o melhor é, como dizem, "estar de bem com a vida" . Contudo, inevitavelmente, somos obrigados a nos deparar com a realidade: Um dia morreremos. Além disso, há miséria, dor, angústias e necessidades à nossa volta. Como lidar com este aparente dilema? Como estar "de bem com a vida" se à nossa volta ecoam os gritos dos desesperados e diante de nós se nos apresenta a terrível realidade da morte?
Diante de tal indagação só nos restam duas opções: Ou simplesmente nos
deixamos levar por esta aparente idéia de que a vida é uma festa e, desta
forma, vivemos para os prazeres e para o "bom da vida", ou escutamos
ao Autor da vida, o Criador. Qual é o melhor?
Para mim tenho por certo que melhor é darmos ouvidos a quem verdadeiramente sabe o que é o
melhor. E saber reconhecer e adotar o melhor como regra de vida, isto se chama:
Sabedoria.
Vejamos, pois, o que nos diz este curioso e interessante trecho das Escrituras:
"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete,
pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em
consideração.
Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o
coração.
O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos na casa da
alegria" Eclesiastes 7:2,3
Nossa experiência na vida, hoje no século XXI, não difere em essência da
experiência pela qual tantas outras pessoas já passaram ao longo de milhares
de anos. E Deus, seguramente, apontou a todos o melhor caminho a escolher.
Quando se constrói uma casa ou quando se cultiva um campo ou uma fazenda, ou ao
se adquirir dinheiro e poder, logo tendemos a nos apegar ao que foi construído
e adquirido e dizemos: "Eis as minhas possessões! Tudo isso é meu, sou
possuidor de bens! Sou rico e abastado! Sou feliz!"
Contudo, com o passar dos anos, nos podemos dar conta de que tudo o que possamos
vir a construir ou adquirir nesta vida é lamentavelmente efêmero. Nada,
absolutamente, podemos levar conosco após findos os breves dias nesta terra.
Salomão, o mais sábio, rico e poderoso rei de toda a História, viu-se diante
deste aparente dilema e entristeceu-se. Ele havia se empenhado em construir
grandes obras, casas, vinhas, jardins, pomares, até açudes e bosques. Amontoou
para si ouro em grande abundância, tesouros, gado, cavalos, e era servido por
uma multidão de servos. Mas terminou por dizer:
"Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo
do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.
Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto
que o seu ganho eu o haveria de deixar a quem viesse depois de mim." Eclesiastes 2:17, 18
Tenho visto pessoas
que já velhas (e muitas delas enfermas), ao final de suas vidas, realizam uma
espécie de flashback mental e através da memória revivem muitos momentos de
suas vidas que terminam por ter de ser confrontados com a realidade do findar da
existência terrena. Muitos lamentam, sofregamente, o fato de terem se empenhado
tanto por coisas que, ao final da vida, são iguais a nada. Terminam por
perceber, surgindo no horizonte, a realidade da morte e se entristecem.
Alguns atletas que, durante os anos de sua juventude, tantas proezas puderam
realizar com o corpo, ao passar dos anos surpreendem-se e também se entristecem
com o inevitável processo do envelhecimento que lhes limita o desempenho físico.
Por que disto tudo? Como encontrar sentido ou motivação para existir em uma
vida que, segundo as melhores estatísticas, normalmente não ultrapassa os setenta anos
para a grande maioria das pessoas? Como lidar com a combinação alegria +
tristeza que parece ser a tônica da existência humana? Enfim, como obter o
melhor?
Primeiramente, se optarmos por dar ouvidos ao Soberano Criador, poderemos, de
pronto, estar certos de que Ele sabe mais do que nós e que deseja o melhor para
nós.
Ao compararmos a vida do glorioso rei Salomão, rico e próspero em tudo, com a
vida do Senhor Jesus Cristo, logo algo nos chama a atenção: Quem é maior?
Salomão ou Jesus? Os conhecedores das Escrituras sabem que, indubitavelmente, o
Filho de Deus, Jesus, possui preeminência em todos os aspectos possíveis,
sendo, portanto, maior do que Salomão. Contudo, as Escrituras nos mostram que o
legítimo dono do mundo, Senhor de todos os tesouros deste planeta, viveu uma
vida em pobreza material, sem riquezas, ostentação e sem banquetear-se com os prazeres
desta vida. O que isto significa? Significa que o Filho de Deus nos mostrou o
melhor. Quase que instantaneamente o nosso raciocínio nos apresenta um quadro
de aparente dilema: Como é possível alguém viver pobre e isto ser considerado
o melhor? Para este legítimo questionamento nos é apresentada a seguinte
realidade: Existem duas formas de riqueza, a riqueza espiritual e a riqueza
material. A primeira eterna e a segunda temporária.
De fato, o Senhor Jesus Cristo nunca deixou de ser o legítimo dono de todas as
riquezas deste mundo. Tudo sempre pertenceu a ele:
"Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas" Romanos 11:36
"Tudo me foi entregue por meu Pai" Mateus 11:27
"Ora, todas as minhas coisas são tuas e as tuas coisas são minhas" João 17:10
Mesmo embora sendo o verdadeiro dono de todo o ouro, prata, petróleo, gado, campos, mares, etc..., coube a Cristo dar-nos o exemplo de qual tipo de riqueza optar por possuir e em razão de que tipo de riqueza existir:
"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está teu tesouro, aí estará também o teu coração" Mateus 6:19-21
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas" Mateus 6:24
Jesus não somente pronunciou estas palavras como também, pessoalmente, as viveu. O Filho de Deus não se devotava a usufruir de toda a imensurável riqueza material que possuía mesmo sendo ele o legítimo dono do mundo, mas ao invés disso optou por oferecer sua vida para servir e ajudar àqueles que por Deus lhe foram entregues. Porém, sua riqueza celestial e eterna ultrapassa a nossa capacidade de imaginação:
"Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio" Hebreus 2:8
O Senhor Jesus Cristo, após ter cumprido na terra a missão que lhe fora outorgada por Deus, conquistou para si domínio eterno sobre todas as coisas. Além disto, e o que é mais impressionante, conquistou também para nós toda esta supremacia e domínio:
"Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono" Apocalipse 3:21
O trono de Deus é o lugar de onde Deus domina sobre tudo, e é exatamente neste elevadíssimo trono que os vencedores se assentarão com Cristo. Serão eternos possuidores de todas as eternas riquezas do reino de Deus. Vejamos quão impressionantes são estas palavras:
"Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino" Lucas 12:31
Estas palavras (e também promessas) de Deus nos revelam que aprouve a Deus constituir-nos donos juntamente com Cristo de todas as riquezas e glórias celestiais. Convém notar, porém, que Jesus faz estas promessas aos vencedores. Àqueles que venceram todo este sistema mundano injusto, perverso e satânico, aos que compartilham da mesma vitória que nos conquistou Jesus sobre o mundo:
"Mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" João 16:33
"Porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" 1 João 5:4
Toda a glória que Cristo recebeu ao ascender ao céu foi precedida por uma vitória. A vitória sobre o mundo (mundo aqui referindo-se ao atual sistema mundial maligno e cujas engrenagens são operadas por homens ímpios em parceria com Satanás). O Senhor Jesus Cristo não necessitava de aqui ter descido, se humilhando, vivendo uma vida como pobre, a não ser por nossa causa. A vitória que conquistou foi para nós. Sua morte e ressurreição ocorreram por nossa causa. O dono dos céus e da terra aqui desceu a fim de nos resgatar da inexorável condenação que sobrevirá a este mundo inimigo de Deus.
"Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus" Tiago 4:4
O mundo com seus sistemas de governo quer sejam democráticos, comunistas, socialistas, parlamentaristas, ou seja lá como queiram chamar seus sistemas de governo, é um mundo escancaradamente injusto e perverso. Uma pequena parte da população mundial se banqueteia, ao passo que a imensa maioria vive em necessidade e miséria. Miséria pela opressão, mas também pela indolência. O belo quadro pintado pela mídia de um mundo onde a felicidade está a apenas um passo não deixa de ser uma farsa armada com o objetivo de iludir-nos, de procurar nos fazer acreditar que é este o alvo maior desta efêmera existência, quando na verdade não é. O consumismo egoísta e o materialismo obsessivo nos podem conduzir à indiferença espiritual, e consequentemente à morte eterna.
Se por um lado, o objetivo dos homens é o lucro, o objetivo de Satanás
é a nossa destruição. Logo, lado a lado, caminham objetivos malignos e contrários
à vontade de Deus. Esta última, porém, objetiva nossa saúde física, mas,
principalmente, a saúde espiritual e eterna. Os homens se utilizam de uma imagem irreal
de um mundo onde as possessões e os prazeres trariam a felicidade aos homens,
bastando a esses que trabalhem e consumam (comprem), a fim de auferir-lhes
lucro, e este às custas da estultice de muitos. Satanás fomenta a mentirosa
imagem de um mundo feliz, a fim de atrair as nossas atenções e fazer-nos
esquecer que somos mortais e que há um juízo vindouro.
Ser cristão não significa viver na pobreza esperando a morte. Mas significa,
antes de tudo, a salutar preocupação em investirmos todos os nossos recursos
nos mais rentáveis investimentos: A fé, a justiça e a misericórdia (Mateus
23:23). Isto é o melhor. E foi isto, precisamente, que entendeu o riquíssimo
rei Salomão quando disse:
"De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más" Eclesiastes 12:14
Diante de nós temos as opções de escolha: sermos amigos do mundo e entesourarmos para esta vida, ou, desprezarmos este sistema mundano injusto e traiçoeiro, apegando-nos e devotando-nos àquele que nos promete os tesouros eternos. A segunda escolha é, simplesmente, o melhor da vida.
"Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos; que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam liberais e generosos, entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira vida." 1 Timóteo 6:17-19
INTELLECTUS