Sabedoria e Justiça

 

 Os grandes princípios do coração de Deus

 

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14:17 

 

Não há na existência nada mais sublime, maravilhoso e prazeroso do que o conhecimento de Deus. Conhecer a Deus significa adentrarmos, passo a passo, no santíssimo território de sua intimidade, o que somente pode acontecer por seu próprio convite, pelas mãos do Espírito de Jesus, o Espírito Santo.

 

Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Mateus 11:27 

 

“Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei. Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.” Filipenses 1:18-20

 

Há instantes atrás, eu indagava sobre o que Deus, o Todo-Poderoso poderia querer, desejar ou almejar para si próprio, sendo ele o dono dos céus e da terra, o Criador de todas as coisas. Como está escrito:

 

“Eis que eu sou o SENHOR, o Deus de todos os viventes; acaso, haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?” Jeremias 32:27 

 

Foi, então, que meditei nas seguintes palavras ditas pela boca d’Ele mesmo, na pessoa do Senhor Jesus Cristo:

 

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.” João 10: 27-30

 

A resposta a este questionamento é sobremodo profunda e comovente: Deus está criando para si próprio uma família. E esta família é composta por uma enorme quantidade de filhos, todos semelhantes ao Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo.

 

“Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” Hebreus 2:10 

 

“Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.” Hebreus 2:11,12

 

Na verdade, a semelhança com o Senhor Jesus Cristo é o mais elevado nível de sabedoria e de crescimento espiritual que podemos almejar. Tornarmo-nos cada vez mais parecidos com ele faz de nós cristãos verdadeiros e autênticos filhos de Deus. E é exatamente isto o que o Pai deseja ver em nós, a Sua semelhança. Este é o grande tesouro de Deus.

 

“Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.” Deuteronômio 32:9

 

Deus está como que replicando a imagem do Senhor Jesus Cristo na vida de cada cristão que ele tem em seu rebanho. E ainda que possamos conservar muitas e interessantes características de nossas próprias, únicas e individuais personalidades, o nosso coração precisa ser um só, cheio de todos os princípios de amor e justiça de Deus. E toda a Lei de Moisés e tudo o que os profetas do Antigo Testamento escreveram aponta para esta necessidade, a fim de sermos participantes da família de Deus.

 

Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; Filipenses 1:27

 

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” Mateus 23:23

 

A Circuncisão do Coração

 

“Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus.” Romanos 2:29 

 

Na Nova Aliança, a circuncisão é uma operação literal que ocorre não na carne, mas no coração e no espírito, como nos ensina o texto bíblico acima. É uma magnífica obra de transformação operada pelas mãos do próprio Deus, a qual nos faz, a cada dia que passa, mais semelhantes ao seu Filho, o Senhor Jesus.

Esta obra de transformação do nosso coração e do nosso espírito tem por finalidade escrever em nosso homem interior, isto é, nos nossos corações, os princípios divinos que orientam os céus, os quais o Pai deseja ver abundando em nós, seus filhos em Cristo. E um dos aspectos mais interessantes desta obra de Deus é que ela é eterna, pois os cristãos estão sendo preparados para o novo lar que nos espera, a saber, a eterna habitação de Deus.

 

Interessantíssimo, ainda, é que esta transformação em nossos corações só pode ser feita de modo sobrenatural, pelas mãos do próprio Deus, o que demonstra a participação ativa e ininterrupta de Deus em nossa salvação. Isto demonstra quão pessoal é Deus e quão individualmente ele nos trata, pois ao mesmo tempo em que ele tem o poder de nos moldar à semelhança do Senhor Jesus, ele também consegue preservar características próprias de nossas personalidades, as quais estão diretamente ligadas à Sua belíssima criatividade. Basta ver, por exemplo, como nossos rostos são ao mesmo tempo semelhantes, porém diferentes em muitas minúcias e características. Ou seja, estruturalmente e internamente somos semelhança de Cristo, como que réplicas d’Ele, ao mesmo tempo em que nos são concedidas peculiaridades e características próprias, as quais nos tornam únicos, a cada um de nós, inconfundíveis e insubstituíveis no quadro da família de Deus.

Eis também o porquê da inutilidade espiritual de TODAS as outras religiões, pois somente em Cristo Deus opera, como está escrito:

 

“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” Romanos 8:9 

 

O Senso Espiritual de Justiça, uma Característica Peculiar e Permanente dos Cristãos

 

“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.” Romanos 8:3-5

 

A lei de Moisés foi dada aos homens e fim de que conhecessem a vontade de Deus, o modus vivendi de Deus para os homens, embora esta mesma lei tenha servido para mostrar à criatura humana a sua total incapacidade de viver na perfeita observância dos mandamentos da lei, visto estar o homem enfermo em decorrência da queda de Adão. O problema não estava na lei, mas nos homens.

 

“E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte. Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou. Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.” Romanos 7:10-14

 

Por esta razão, veio o Senhor Jesus Cristo, cumpriu toda a lei de Moisés e nos deu, gratuitamente, todos os benefícios pelo cumprimento da lei, conquistados por ele, o qual se ofereceu em sacrifício pelos nossos pecados, cancelando todo o rol de dívidas que tínhamos para com Deus, em conformidade com a lei que não havíamos conseguido cumprir.

Agora, porém, nesta novidade de vida, na Nova Aliança, recebemos, gratuitamente, todos os benefícios do penoso trabalho do Senhor Jesus Cristo e podemos andar corretamente nos preceitos de Deus, os quais atuam em nós de modo natural e espontâneo, se somos espirituais, nascidos de Deus, pois os filhos de Cristo andam segundo o Espírito de Deus.

Isto significa que, se de fato somos nascidos de novo, naturalmente conhecemos o Senhor, espontaneamente conhecemos os seus mandamentos e como que automaticamente nos inclinamos para eles, pois a nova natureza se expressa de modo intenso na vida dos verdadeiros cristãos.

 

“Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;” Efésiso 6:6

 

A Sabedoria e a Justiça na Prática

 

“Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” Jeremias 31:34 

 

“E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.” Hebreus 8:11 

 

A Nova Aliança, profetizada no Antigo Testamento e cumprida no Novo Testamento, traz consigo o inevitável conhecimento sobrenatural de Deus, pois ninguém pode participar da Nova Aliança se nele não se cumprir o que está escrito:

 

“Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Mateus 11:27 

 

O conhecimento de Deus não pode ser adquirido por esforços intelectuais, em salas de seminários teológicos ou através de cursos de Teologia. O conhecimento de Deus somente nos pode ser dado pelo próprio Senhor Jesus Cristo, como ele mesmo diz nas palavras acima. E se conhecemos a Deus, já somos possuidores da maior das sabedorias, cabendo-nos o desejar aprofundarmo-nos nela a fim de conhecermos a Deus em sua maior intimidade, o mais sublime de todos os objetivos da existência.

E se já somos sábios, bem podemos compreender que a fé atua pelo amor:

 

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.” Gálatas 5:6 

 

E se compreendemos que a fé opera pelo amor, também viveremos nesta prática, pois a expressão da nossa fé se cumpre no seguinte mandamento:

 

“Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5:14 

 

“Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Romanos 13:9 

 

“Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem;” Tiago 2:8

 

Não é a tentativa meramente humana de cumprir este mandamento que nos conduz ao conhecimento de Deus, e sim o conhecimento de Deus, concedido pelas mãos do Senhor Jesus Cristo, é que faz com que cumpramos este mandamento.

O cumprimento deste mandamento, o qual traz em si próprio a mais sublime expressão da vontade de Deus para os homens, é a expressão natural do pensamento e do comportamento dos que conhecem a Deus. E isto ocorre porque conhecemos o Autor deste mandamento e porque o amamos, como está escrito:

 

“E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” Mateus 22:35-40

 

Pela Nova Aliança, por meio do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, nele cremos e por isto recebemos o conhecimento de Deus. Sabendo quem ele é, e conhecendo o que lhe agrada, nós o amamos, e porque o amamos nós o obedecemos, e esta obediência consiste em andarmos em seus mandamentos de modo espontâneo, sobrenaturalmente guiados pelo Espírito de Deus, à semelhança de Cristo.

 

 “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” Gálatas 4:6

 

Somos movidos pelo amor de Deus a fim de que contribuamos para a edificação da Igreja de Cristo, fazendo o bem aos nossos irmãos e não fazendo o mal a ser humano algum, pelo contrário, antes trabalhando e nos esforçando para que o evangelho alcance a todos os homens, segundo o que está escrito:

 

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” 2 Pedro 3:9 

 

 

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